A manosfera é um termo guarda-chuva utilizado para descrever um amálgama de comunidades digitais misóginas (incluindo fóruns, blogs, canais no YouTube e redes sociais) que promovem definições prejudiciais de masculinidade e se opõem ferrenhamente ao feminismo.

Esses grupos estão unidos pela crença de que a sociedade moderna é tendenciosa contra os homens (uma ordem “ginocêntrica”) e que o empoderamento feminino ameaça destruir a masculinidade tradicional, posicionando os homens como as “verdadeiras vítimas” do atual cenário social e político.

A ideologia central da manosfera baseia-se na metáfora da “Red Pill” (pílula vermelha), inspirada no filme Matrix, que representa o “despertar” para a suposta realidade de que o mundo favorece as mulheres em detrimento dos homens.
A manosfera é composta por diversos subgrupos com identidades e objetivos específicos:

Incels (celibatários involuntários): considerada a facção mais radical e potencialmente violenta, é composta por homens que sentem que têm um direito natural ao acesso sexual, mas não conseguem parceiras. Eles frequentemente aderem à “Black Pill“, uma visão niilista que prega que o sucesso romântico é determinado apenas por fatores biológicos imutáveis (como genética e aparência), levando ao desespero e ao ressentimento contra mulheres.

MGTOW (Men going their own way): representam o impulso separatista da manosfera. Esses homens decidem se afastar completamente de relacionamentos sérios com mulheres e, às vezes, da própria sociedade, acreditando que as leis de casamento e as relações modernas são ferramentas de exploração contra o público masculino.

MRAs (Ativistas dos direitos dos homens): frequentemente adotam um tom mais “acadêmico” ou legalista para reivindicar que o feminismo desvantajou os homens em áreas como custódia de filhos, leis de divórcio, mercado de trabalho e justiça criminal.

PUAs (Artistas da sedução): focam no desenvolvimento de técnicas psicológicas e táticas manipuladoras (o chamado “jogo”) para seduzir e coagir mulheres ao sexo, tratando as interações interpessoais como uma competição de conquista e dominação.

Looksmaxxers: uma subcultura mais recente dedicada à melhoria extrema da aparência física (através de dietas, exercícios pesados e até cirurgias perigosas) com o objetivo de aumentar o seu “valor de mercado sexual” (SMV).

NoFap: Grupo que defende a abstinência de masturbação e pornografia para fortalecer a masculinidade e alcançar o autodisciplina.

Grupos de direitos dos pais: frequentemente ligados aos MRAs, focam especificamente na proteção dos direitos paternos e no combate ao que chamam de alienação parental em tribunais de família.

Atualmente, o alcance desses grupos foi amplificado por “manfluencers” (influenciadores da masculinidade), figuras como Andrew Tate e Jordan Peterson, cujas mensagens permeiam o discurso público através de algoritmos de plataformas como TikTok e Instagram, muitas vezes disfarçando ideologias extremistas sob o pretexto de autoajuda, fitness e sucesso financeiro.