Em 2026, a criação de espaços exclusivos para mulheres, como esta roda de conversa, tornou-se uma estratégia vital de resistência e sobrevivência diante de um cenário global e nacional alarmante. A necessidade de um ambiente restrito justifica-se pelo fato de que a violência contra mulheres e meninas é a violação de direitos humanos mais disseminada no mundo, muitas vezes culminando no feminicídio, sua forma mais extrema e evitável.
Dados globais indicam que, em média, 137 mulheres são mortas por dia por parceiros íntimos ou familiares, o que equivale a uma morte a cada 10 minutos no seio da própria família.
No Brasil de 2026, o impacto desses números é agravado por uma crescente onda de discurso de ódio e misoginia digital. Espaços online têm sido descritos como um “campo minado” de assédio e controle, onde a proliferação de conteúdos da chamada “manosfera” (saiba o que é manosfera) normaliza agressões e justifica a violência contra a mulher.
Pesquisas mostram que a violência digital não permanece apenas no ambiente virtual; ela é um fator de risco que frequentemente escala para a violência física e letal no mundo offline.